sábado, 30 de outubro de 2010

Vilas da Cidadania

Acabo de retornar da Rua Laura de Araújo, na Cidade Nova, onde me deparei com uma tragédia. Até o momento o saldo era de 3 mortos, sendo 2 crianças, 15 feridos e 10 desaparecidos. Este é mais um desastre anunciado, causado pelo abandono de imóveis pelas autoridades competentes, pelo tombamento de imóveis completamente deteriorados, sem que haja um projeto de revitalização. São muitos imóveis pela cidade, que deixados de herança para herdeiros sem condições ou interesse de restaurá-los, simplesmente o abandonam e deixam a porta aberta para uma ocupação irregular ou alugam apartamentos sem nenhuma melhoria. Por muitas vezes é um invasor que aluga quartos e leva dezenas de famílias a viverem em um local sem condição nenhuma de moradia. Anos passam e o poder público nem enxerga, até que acontece o desabamento ou incêndio. Devemos cobrar para que ao menos estas mortes sirvam de inspiração para Leis Municipais obrigando a desocupação imediata destes imóveis e transferência destas famílias para imóveis populares. Não colocá-los em qualquer lugar, e sim criar vilas onde exista água, luz, saneamento básico, creche/escola e uma cooperativa que possa gerar emprego formal e renda. Estas comunidades devem ser criadas em prédios abandonados por estatais e órgãos da administração pública ou em terrenos cedidos por instituições religiosas. Diversas atividades como reciclagem, artesanato, oficinas de costura e tantas outras podem ser as âncoras de um futuro melhor para todos. Já os imóveis que serão desocupados devem ser restaurados, havendo realmente interesse do patrimônio cultural, ou desapropriados para construção destas "vilas da cidadania".

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